domingo, 16 de outubro de 2011

História da minha rua

Minha residência fica num bairro chamado Ouro Preto. Antes de vir morar aqui conhecia a fama do bairro como violento, o que agora é uma inverdade, pois é não fosse pela movimentação seria extremamente tranqüilo. Ele só tinha uma entrada e uma saída que eram pelo mesmo local. Hoje, com a construção de uma via que corta o bairro, que vai do Farol a Serraria, o local virou passagem para grande fluxo de carro, e trouxe também bastante comerciantes.
Bem, mas como o foco desta pesquisa é o nome da rua, vamos falar nela. A rua em que moro é uma transversal da principal rua do Ouro Preto e se chama rua São Francisco.
São Francisco nasceu em 1182 n cidade de Assis na Itália. Seu pai era um comerciante rico. Aos 20 anos entrou na guerra entre Assis e Perugia, e lá foi ferido e feito prisioneiro, onde ficou um ano num calabouço, em que contraiu malária. Quando seu pai o resgatou, Francisco voltou a Assis mais reflexivo, seu desejo de lutar permaneceu, mas ele teve uma depressão e sua doença, a malária, acabou voltando.


Um grande momento da vida de Francisco foi o fato de ele deixar o preconceito de lado e abraçar e beijar um leproso, fato que antes não o faria. Sobre isso, ele lembra em seu leito de morte que este seria o momento de sua grande mudança: "O que antes parecia amargo pra mim se converteu em doçura de alma e corpo".
Deixou de lado os grandes banquetes, os esportes e as más companhias, que os questionava se ele iria casar, e ele respondia que sim, mas que casaria com a pobreza.
Francisco abriu mão do dinheiro de seu pai, ele se tornou um mendigo, e com o dinheiro dos viajantes ajudou a reconstruir três igrejas abandonadas: a de São Pedro, a de Porziuncola e a de Santa Maria dos Anjos, lugar onde morreu.
Suas vestes eram humildes túnicas, amarradas por um simples cordão que levam até hoje três nós, que significam os são seus votos: Pobreza, Obediência e Castidade.
Em 1209 Francisco foi com seus 11 novos irmãos à Roma, buscar a permissão do Papa Inocêncio III para fundar uma ordem religiosa. A princípio, o Papa não quis aprovar a regra de vida proposta por Francisco, porque parecia estranha e por demais penosa às forças humanas no parecer de alguns cardeais. A Ordem Franciscana crescia com o passar dos anos. Em 1219 houve uma grande expansão para a Alemanha, Hungria, Espanha, Marrocos e França. Durante sua ausência, vigários modificam algumas regras da Ordem e no mesmo ano Francisco se demite da direção da mesma. Com o crescimento - quase 5.000 frades em 1221 - uma nova regra foi escrita por São Francisco em 29 de novembro de 1223 que foi aprovada pelo Papa Honório. É a que vigora até hoje.
Uma das características mais conhecida de Francisco foi seu grande amor pela natureza e pelos animais, sobre isso, se conta que quando Francisco agradeceu ao seu burrinho por tê-lo carregado e ajudado durante a vida, o burrinho chorou.
Francisco ficou muito doente, e no ano seguinte ficou cego. Sofreu muito com as formas primitivas de cirurgias e tratamentos medievais, mas foi por esta época que ele escreveu seus mais belos textos - sendo considerado por muitos o primeiro poeta italiano - deixando registrado seu amor universal em lindos versos (assim como os sufis o fazem), como o O cântico do Sol , escrito em companhia de sua alma gêmea, Clara, em São Damião, por volta de 1224/1225, quando já sofria muitas dores e estava quase cego.
Uma das orações mais conhecidas é Oração da Paz, atribuída a São Francisco de Assis e comumente denominada de "Oração de São Francisco", que segue abaixo:

Senhor,
Fazei de mim um instrumento de vossa paz!
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz!
Ó Mestre,
fazei que eu procure mais.
Consolar, que ser consolado.
Compreender, que ser compreendido.
Amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo, que se vive para a vida eterna!

Francisco morreu em 3 de outubro de 1226, num sábado, aos 45 anos. Foi sepultado na Igreja de São Jorge, na cidade de Assis. Em 1230 seus ossos foram levados para a nova Basílica construída para ele, a Basílica de São Francisco, hoje aos cuidados dos Frades Menores Conventuais.
São Francisco de Assis foi canonizado em 1228 por Gregório IX e seu dia é comemorado em 4 de outubro.
Mas, como falei inicialmente a rua São Francisco é a rua que moro, mas, esqueci de dizer que moro num residencial chamado Antônio Silveira Coutinho, que tem sua história atrelada a da Usina Cansanção de Sinimbu, que começou há 134 anos.
A idéia de construir uma usina de beneficiamento de cana para a produção de açúcar e álcool havia surgido no ano de 1892 em reunião onde estavam presentes José Torquato de Araújo Barros, proprietário do Engenho Jequiá; Manoel Duarte V. Ferreira Ferro, co-proprietário e representante dos herdeiros do Engenho Ilha; José Luiz Soares, comerciante e o inglês Arthur L. G. Williams, representante da firma exportadora de açúcar Williams & Co.
A empresa foi oficialmente fundada no dia 13 de abril de 1893 e tinha como um dos incorporadores João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu, o Visconde de Sinimbu, vindo daí o nome da indústria. Estabelecendo para as gerações posteriores sua visão futurista de produtividade, já em 1908 era prática corrente na Companhia fazer a análise química do solo onde plantava a cana e aplicava a adubação orgânica nas suas lavouras e na década de 1930 recebia do Ministério da Agricultura certificado de qualidade e licença para comercializar o combustível “Simbulina”. Em julho de 1951 Benedito Silveira Coutinho e Antônio Silveira Coutinho assumiram o controle acionário da empresa mantido até os dias atuais pela família. Hoje fica situada no município alagoano de Jequiá da Praia.
Enfim, ao se fazer uma pesquisa como esta analisamos a importância que a história tem em nossa vida, a de nos aproximar da nossa realidade, de resgatar memórias doravante esquecidas, sobretudo de nos fazer entender a origem e as conseqüências de determinados fatos.



REFERÊNCIAS

Saindo da Matrix. Vida de São Francisco. 2007. Disponível em http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2007/05/sao_francisco_d.html.

Estão e Ferrovias. E. F. da Usina Cansanção de Sinimbu. Município de Jequiá da Praia, AL). Disponível em http://www.estacoesferroviarias.com.br/ferroviaspart_norte/efusinacanssinimbu.htm

Como é que cheguei aqui?

Esse negócio de relembrar é fogo! Sempre fico emocionada rememorando os acontecimentos de minha vida.
Conclui meu ensino fundamental no Colégio Mahatma Gandhi, homem que admiro pela paciência e persistência na espera de um mundo melhor. Sempre tive vontade de estudar numa escola pública de qualidade, então para ingressar no ensino médio, nesse tipo de escola, fiz o processo seletivo da Escola Agrotécnica Federal de Satuba-AL (EAFS), hoje denominado IFAL. Fui aprovada no processo e em 2002 iniciei o meu ensino médio na EAFS. Nesse período passava o dia inteiro na escola, chegava às 7h e saía às 17h. Considero os anos que passei na agrotécnica os melhores de minha vida, sobretudo porque trago de lá minhas grandes amizades e meu grande amor, meu marido.



Em 2004 terminava meus momentos de divertimento e começavam as responsabilidades. E hajam escolhas a serem feitas. Para que curso fazer vestibular?
Pois é, não pensei que desde sempre quis fazer pedagogia. Quando criança dizia minha mãe que queria ser engenheira civil, minha formação passou longe disso.
Minha primeira graduação foi em administração, fiz a prova do ENEM e fui aprovada para cursar administração pelo PROUNI. Seis meses depois, fiz outro vestibular, agora para matemática na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com pólo em Maceió, passei e tive de cancelar administração, por conta das regras aplicadas ao PROUNI.
Ao mesmo tempo que cursava matemática comecei a trabalhar num colégio grande da nossa cidade, numa profissão que nada tinha a ver com o meu curso, eu era uma das responsáveis por elaborar o material impresso do colégio. Com a aproximação da educação, surgiu a vontade de fazer um novo vestibular, e o fiz. Em 2006, fui aprovada pela Ufal para a graduação em pedagogia.
Com o passar do tempo, as atribuições dos dois cursos me deixaram sufocadas, e tive de optar por um deles, e é claro, fiquei com a pedagogia, por ser meu curso preferido.
E, sobre essa história, conversaremos depois.