Minha residência fica num bairro chamado Ouro Preto. Antes de vir morar aqui conhecia a fama do bairro como violento, o que agora é uma inverdade, pois é não fosse pela movimentação seria extremamente tranqüilo. Ele só tinha uma entrada e uma saída que eram pelo mesmo local. Hoje, com a construção de uma via que corta o bairro, que vai do Farol a Serraria, o local virou passagem para grande fluxo de carro, e trouxe também bastante comerciantes.
Bem, mas como o foco desta pesquisa é o nome da rua, vamos falar nela. A rua em que moro é uma transversal da principal rua do Ouro Preto e se chama rua São Francisco.
São Francisco nasceu em 1182 n cidade de Assis na Itália. Seu pai era um comerciante rico. Aos 20 anos entrou na guerra entre Assis e Perugia, e lá foi ferido e feito prisioneiro, onde ficou um ano num calabouço, em que contraiu malária. Quando seu pai o resgatou, Francisco voltou a Assis mais reflexivo, seu desejo de lutar permaneceu, mas ele teve uma depressão e sua doença, a malária, acabou voltando.
Um grande momento da vida de Francisco foi o fato de ele deixar o preconceito de lado e abraçar e beijar um leproso, fato que antes não o faria. Sobre isso, ele lembra em seu leito de morte que este seria o momento de sua grande mudança: "O que antes parecia amargo pra mim se converteu em doçura de alma e corpo".
Deixou de lado os grandes banquetes, os esportes e as más companhias, que os questionava se ele iria casar, e ele respondia que sim, mas que casaria com a pobreza.
Francisco abriu mão do dinheiro de seu pai, ele se tornou um mendigo, e com o dinheiro dos viajantes ajudou a reconstruir três igrejas abandonadas: a de São Pedro, a de Porziuncola e a de Santa Maria dos Anjos, lugar onde morreu.
Suas vestes eram humildes túnicas, amarradas por um simples cordão que levam até hoje três nós, que significam os são seus votos: Pobreza, Obediência e Castidade.
Em 1209 Francisco foi com seus 11 novos irmãos à Roma, buscar a permissão do Papa Inocêncio III para fundar uma ordem religiosa. A princípio, o Papa não quis aprovar a regra de vida proposta por Francisco, porque parecia estranha e por demais penosa às forças humanas no parecer de alguns cardeais. A Ordem Franciscana crescia com o passar dos anos. Em 1219 houve uma grande expansão para a Alemanha, Hungria, Espanha, Marrocos e França. Durante sua ausência, vigários modificam algumas regras da Ordem e no mesmo ano Francisco se demite da direção da mesma. Com o crescimento - quase 5.000 frades em 1221 - uma nova regra foi escrita por São Francisco em 29 de novembro de 1223 que foi aprovada pelo Papa Honório. É a que vigora até hoje.
Uma das características mais conhecida de Francisco foi seu grande amor pela natureza e pelos animais, sobre isso, se conta que quando Francisco agradeceu ao seu burrinho por tê-lo carregado e ajudado durante a vida, o burrinho chorou.
Francisco ficou muito doente, e no ano seguinte ficou cego. Sofreu muito com as formas primitivas de cirurgias e tratamentos medievais, mas foi por esta época que ele escreveu seus mais belos textos - sendo considerado por muitos o primeiro poeta italiano - deixando registrado seu amor universal em lindos versos (assim como os sufis o fazem), como o O cântico do Sol , escrito em companhia de sua alma gêmea, Clara, em São Damião, por volta de 1224/1225, quando já sofria muitas dores e estava quase cego.
Uma das orações mais conhecidas é Oração da Paz, atribuída a São Francisco de Assis e comumente denominada de "Oração de São Francisco", que segue abaixo:
Senhor,
Fazei de mim um instrumento de vossa paz!
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz!
Ó Mestre,
fazei que eu procure mais.
Consolar, que ser consolado.
Compreender, que ser compreendido.
Amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo, que se vive para a vida eterna!
Francisco morreu em 3 de outubro de 1226, num sábado, aos 45 anos. Foi sepultado na Igreja de São Jorge, na cidade de Assis. Em 1230 seus ossos foram levados para a nova Basílica construída para ele, a Basílica de São Francisco, hoje aos cuidados dos Frades Menores Conventuais.
São Francisco de Assis foi canonizado em 1228 por Gregório IX e seu dia é comemorado em 4 de outubro.
Mas, como falei inicialmente a rua São Francisco é a rua que moro, mas, esqueci de dizer que moro num residencial chamado Antônio Silveira Coutinho, que tem sua história atrelada a da Usina Cansanção de Sinimbu, que começou há 134 anos.
A idéia de construir uma usina de beneficiamento de cana para a produção de açúcar e álcool havia surgido no ano de 1892 em reunião onde estavam presentes José Torquato de Araújo Barros, proprietário do Engenho Jequiá; Manoel Duarte V. Ferreira Ferro, co-proprietário e representante dos herdeiros do Engenho Ilha; José Luiz Soares, comerciante e o inglês Arthur L. G. Williams, representante da firma exportadora de açúcar Williams & Co.
A empresa foi oficialmente fundada no dia 13 de abril de 1893 e tinha como um dos incorporadores João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu, o Visconde de Sinimbu, vindo daí o nome da indústria. Estabelecendo para as gerações posteriores sua visão futurista de produtividade, já em 1908 era prática corrente na Companhia fazer a análise química do solo onde plantava a cana e aplicava a adubação orgânica nas suas lavouras e na década de 1930 recebia do Ministério da Agricultura certificado de qualidade e licença para comercializar o combustível “Simbulina”. Em julho de 1951 Benedito Silveira Coutinho e Antônio Silveira Coutinho assumiram o controle acionário da empresa mantido até os dias atuais pela família. Hoje fica situada no município alagoano de Jequiá da Praia.
Enfim, ao se fazer uma pesquisa como esta analisamos a importância que a história tem em nossa vida, a de nos aproximar da nossa realidade, de resgatar memórias doravante esquecidas, sobretudo de nos fazer entender a origem e as conseqüências de determinados fatos.
REFERÊNCIAS
Saindo da Matrix. Vida de São Francisco. 2007. Disponível em http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2007/05/sao_francisco_d.html.

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